Experimentando os fractais

Desde que comecei o curso de Arquitetura e Urbanismo (em 2007), desenvolvi uma relação muito estreita com as primeiras disciplinas de Projeto de Arquitetura (aquelas ligadas à estudo da forma/plástica). Gostava de explorar o mundo sensorial, a brincar com as formas, cores, texturas…

Os períodos foram passando e as disciplinas de projeto ganhavam cada vez mais um caráter experimental. Continuei explorando as formas, as cores e as texturas e passei a exercitar um lado mais, digamos, “racional”, quando agregava valores funcionais ao projeto.

Em 2009, na companhia do meu (quase) inseparável companheiro de aventuras projetuais Fabinho,  fiz alguns estudos sobre metodologia de projeto arquitetônico aplicados a uma temática projetual específica, neste caso um restaurante. Tivemos como resultado o estudo preliminar de um restaurante contemporâneo, nomeado Caverna, que foi desenvolvido na disciplina de Projeto de Arquitetura 4 da FAU/UFAL, sob orientação de outro aventureiro das arquiteturas alagoanas – grande professor Pedro.

Ano passado, 2010, resolvemos compartilhar um pouco da nossa experiência, nesse projeto em específico, com os demais alunos e professores da FAU/UFAL através da apresentação (que segue logo abaixo) no VII Congresso Acadêmico da Universidade Federal de Alagoas na categoria “outros trabalhos”.

O resumo do trabalho está publicado nos Anais do Congresso e pode ser conferido AQUI, basta digitar no campo indicado a palavra “Fractais” (sem aspas)

Apresentação para Congresso Acadêmico

Considerações sobre um modelo de planejamento urbano

Entendendo que as cidades são organismos vivos, dotados de dinamismo e formados por uma grande complexidade de agentes e fatores que influenciam uns nos outros, é (ou deveria ser) extremamente compreensível que elas passem por um processo natural de mutação. Bem ou mal, feio ou bonito, muito ou pouco são conflitos que estão diretamente associados a este crescimento e que tentam a cada nova teoria, a cada novo plano urbanístico, ser vencidos.

É notório que tal crescimento nasceu de uma cultura de expansão, de ocupação dos espaços, onde novos núcleos urbanizados eram criados a partir das demandas do crescimento urbano. Um conjunto habitacional ali, um equipamento urbano aqui, uma linha de ônibus fazendo a conexão e boom! Mas hoje, o que vemos e, principalmente, a cidade onde vivemos já expandiu. Já ultrapassou limites, já verticalizou, já incorporou cidades vizinhas à sua dinâmica, já tem até nome para isso. As regiões metropolitanas não me deixam mentir. E agora? Para onde vamos? Como vamos? Quem vai nos guiar?

Enquanto minha cabeça fervilhava com toda essa problemática e os incessantes questionamentos sobre isso, fui apresentada, nas instigantes e provocativas aulas de planejamento urbano, a um modelo de planejamento muito coerente com a realidade de nossas cidades atualmente. Trata-se de um modelo de planejar e gerir as áreas de interesse patrimonial que tem em sua essência uma dinâmica integrada, considerando de igual importância os aspectos econômicos, culturais, físicos e ambientais, por exemplo.

Partindo da consciência de que a cidade possui uma estrutura urbana já formada, ruas criadas, usos definidos, uma identidade reconhecida pela população do lugar, por que expandir? Por que não readequar, requalificar, renovar as estruturas urbanas que já existem mantendo viva suas características econômicas, culturais, físicas e ambientais?

Esse princípio de Conservação Integrada (CI) consegue garantir o tão almejado desenvolvimento sustentável, a partir da manutenção física e social de áreas específicas integrando com novos usos (numa dinâmica de: mantém e integra).

Na história, as primeiras aplicações da Conservação Integrada aconteceram na cidade de Bolonha, em meados da década de 70, que tinha como objetivo recuperar áreas residenciais e periféricas de centros históricos ocupados pela população de baixa renda do ponto de vista social, econômico e físico sem afetar os residentes do local, ou seja: sem causar a famigerada gentrificação.

Na década posterior a CI passou a ser aplicada em outras partes das cidades, nos conjuntos habitacionais modernos periféricos da Europa, visando uma conexão dessas áreas com o centro da cidade enfatizando também, a criação de equipamentos de uso coletivo.

Nos anos 90 “sentimos na pele” a aplicabilidade da CI bem perto de nós. Dessa vez, ela se volta para áreas centrais que estão em desuso utilizando uma estratégia de recuperação econômica através dos edifícios tombados para atrair investimentos públicos e privados.

De uma maneira geral, além da já citada preocupação com o desenvolvimento sustentável, vemos muitos pontos positivos nesta abordagem do planejamento urbano e, sem dúvidas, o primeiro deles (quiçá o maior) é a consideração de cada área de forma única respeitando suas especificidades físicas, sociais e econômicas, perdendo a generalidade de antes. E, cá entre nós, é um primeiro passo para que o planejamento seja feito de forma correta.

Depois disso tudo, eu fiquei pensando no quão trabalhoso é abandonar uma cultura que está tão impregnada, como a do “planejamento expansionista” que temos praticado até hoje e adotarmos outros princípios, outra forma de pensar e planejar. Mas, quem disse que seria fácil? Estabelecer um diálogo coerente e harmonioso entre estruturas (não falo só de estruturas físicas) do passado e a mutante dinâmica da cidade é o grande desafio.

Este texto foi escrito depois das já citadas “instigantes e provocativas” aulas de Planejamento Urbano 1 do curso de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Federal de Pernambuco, ministrada pela professora Rosane Piccolo (os slides preparados por ela me ajudaram bastante)


Neste link vocês podem encontrar um texto MUITO bom escrito pelos professores (MDU) Sílvio Zanchetti, Norma Lacerda e Fernando Diniz sobre o planejamento e conservação urbana.

de novo…

(já perdi as contas de quantas vezes criei e deletei um blog e mais: de quantas vezes eu comecei uma nova postagem em um novo blog falando de ‘como eu crio e deleto blogs’…)

depois de indas e vindas pelo mundo virtual e das andanças físicas que ousei nesses últimos tempos, eis-me aqui em mais uma viagem pitoresca, mais longa que anteriores, pode-se dizer, tentando por um fim nesse curso de graduação que me atormenta acompanha por quatro longos anos… mas que está rumando para a sua conclusão [falta só um ano, deus é mais!].

o objetivo (essa palavra tem me atormentado muito academicamente) a intenção deste blog é partilhar de alguma forma as aventuras arquitetônicas, urbanísticas, paisagísticas e afins, que fazem parte de mim aqui ou em qualquer outro lugar…

comecemos!


Twitter


Seguir

Obtenha todo post novo entregue na sua caixa de entrada.